Viagem Astral
Quando a natureza desabafa em meu ombro
Sinto afago e surpresa
Desfaço todo o conceito da beleza
Escuto cada passo que vem me procurar
Não digo nada apenas ouço
Como uma mãe que acolhe sem perguntar
Como uma filha que aprende sem questionar
Como a vida que aprendeu a se levar
Lavo e limpo minha alma
Sem medo de voar
E as glândulas suadas
Fruto de sua bênção
Irrigam todo o solo por qual vou penetrar
E Nesse lago Suvinil
Onde de tão límpido reflete o anil
Desmaterializo meus sentidos
Entupo meus ouvidos
Conforme as pálpebras travar
As energias tomam cor
Com gosto de sentido
E o sentido toma amor
Como a ternura doce de um amigo
Quem nasce do vento
Vem buscar a eternidade
Que a terra não é capaz de dar
Só o espaço com toda sua alusão
Talvez as correntes energéticas
Com toda precisão
E aquele que sorriu na bicicleta
Sem saber aonde ir
Chegou no ponto mais bonito
Que mesmo cego se fez sorrir.
Por trás do duro muro
Existem pétalas de solidão
Sua textura fina e delicada...
Se perdem num buraco fundo
Numa prisão
Sem saída
Sem perdão
Dentre os labirintos
Da parede e do chão
Os azulejos são cristalinos
Frágeis como bolas de sabão
Se o sapo não ajudasse o escorpião
o vilão seria o sapo
e nós não saberíamos do veneno do escorpião
quanto vale uma alma?
Nem o universo pode pagar
ela é nossa morada
ela é nosso único e verdadeiro lar
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