sexta-feira, 5 de novembro de 2010



Asas Brancas, Pássaro Negro.


Hoje a cidade estava clara,
propagava um dia vivo,
quando então suas ruas tortas...
me trouxeram um castigo.
Fazem dias que me sinto,
como uma Valkiria peregrina,
hora num deserto, hora na floresta,
ando, volto, dou um giro
e não vejo o que procuro,
sinto que alguém me procurou...
Não sei por onde ando,
meus sentidos parecem se esconder,
tornando-me como as asas de um pássaro,
viva e poderosa, mas,
sem a autonomia de voar só...
Me perdendo por ruas que nunca vi
sinto intensamente que por la um dia vivi...
me deparo sem chegar ao meu ponto,
me perco e apareço em outro lugar,
não sei o que anda acontecendo!
Sei que choveu mto sob mim,
minhas sandálias peregrinas arrebentaram,
e eu estava muito longe do meu jardim...
e quando cheguei já nao existiam borboletas!
Parecia tudo se acabar...
vozes no ouvido
silêncio no ar...
eu berrei... até o mais infimo ser me escutar...
por quantas milhas devo percorrer até de novo me encontrar?!
me sinto num lugar perdido como se nunca mais fosse voltar!
pareço estar presa acorrentada bem no fundo do mar...
E meus olhos que eram coloridos,
mais parecem um retrato empoeirado e antigo...
sou uma página preta e branca de mim mesma.
E procuro pela aquarela viva que ja morou aqui dentro sim
que alguém sem nome, deve ter roubado de mim.
E agora se adota de muita alegria
sugando meus sentidos,
mas jamais minha poesia...
uma coisa é certa
correta
concreta
o além pode me tirar,
o inferno vir me buscar ,
meus olhos arderem em fogo,
mas minha alma nunca será de ninguém.